Nossa política é o fim do mundo! Como resolver?

  • Por:Ibsen Costa Manso
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  • Certa vez perguntaram ao saudoso dr. Ulysses: ‘o que acontece com esta legislatura? Está horrorosa!’. Ao que o velho e sábio cacique do então MDB respondeu: ‘não se preocupe, meu filho; ainda vai piorar muito.’”

Então, senhoras e senhores do meu Brasil varonil… Que dias, hein? Toda manhã acordo pensando que esta será a última, como naquela maravilhosa canção do festival, do genial Eduardo Duzek, Nostradamus*.

Só que não. Toda noite esse nosso mundinho-cão insiste em não acabar e tento processar um verdadeiro mar de notícias avassaladoras.

Além de tudo, nestas últimas semanas, um espaço na programação das TVs tem especialmente chamado a minha atenção. Deve ter passado despercebido para a maioria de vocês, que não têm, por razões óbvias, o mínimo interesse em acompanhar; também, não sem razão,  pela concorrência desleal da enxurrada de grampos, delações, manifestações, etc., Trata-se do insuportável horário eleitoral “gratuito”.

Sempre escrevo assim, entre aspas, porque de gratuito não tem nada. Nós é que pagamos o pato, como sempre, por intermédio da isenção de milhões de reais em impostos para as emissoras. Eu vejo, não porque gosto, mas por dever de ofício.

Pois é, neste ano de eleições municipais, há vários dias que aparecem na telinha aquelas  insuportáveis propagandas de partidos nanicos, inexpressivos, com figuras, digamos, de aspecto lombrosiano duvidoso. Todos posando como se fossem homens públicos sérios, falando dos problemas do Brasil, prometendo resolver tudo, como  num passe de mágica. Só não dizem como. Nunca dizem, não é mesmo? E quando propõem alguma coisa, seria de chorar de rir, não fosse trágico.

Criticar é mesmo moleza. São tantas as coisas erradas hoje no Brasil, que qualquer criança do primeiro grau consegue apontar. Duro mesmo é mostrar uma solução que realmente funcione.

Um dia desses estava lá, em horário nobre, o EEEymael, com aquele seu irritante dedo indicador torto. Ainda não vi aquele outro senhor de bigode do aerotrem, também eterno candidato a presidente. Sabem quem? Não tem mandato, mas vivo cruzando com ele nos bastidores da Câmara. Todo ex-parlamentar  tem livre acesso aos plenários do Congresso, sabiam desse detalhe?

Em São Paulo adotaram sua manjada e até interessante proposta única. Era para estar pronto na Copa, mas ainda não conseguiram entregar. Ah, sem falar no trem-bala.

Bem, voltemos ao que interessa. Ocorre que hoje foi demais para mim. Programa do PRB. Apareceram alguns parlamentares e personagens notáveis da nossa política republicana. Figuras como o senador bispo Crivella e o deputado Celso Russomano, pré-candidato a prefeito de São Paulo, que quase levou na eleição passada, com sua fama de defensor-mor dos consumidores. construída mais consistentemente no sensacionalista  Aqui-Agora, e aquela carinha de bom moço.

Até ontem o PRB fazia parte da base muy aliada ao Planalto. O partido anunciou que não apóia mais o governo. Hoje põe o programa no ar, como se não tivesse nada com tudo isso que está aí. Vale a pena vocês assistirem, só para eu não sentir esse asco sozinho.

Daí, mais uma vez, me veio o estalo! Nunca vamos resolver tudo o que estamos vendo todo santo dia no noticiário, enquanto não houver uma reforma política digna desse nome, para muitos a mãe de todas as reformas. Criando cláusulas de barreira para acabar com essas, por baixo, duas dezenas de legendas de aluguel, com o fim do famigerado fundo partidário, ou pelo menos impondo critérios rigorosos para a distribuição dessa, entre outras, verdadeira mamata. Voto distrital misto, fim das coligações para eleições proporcionais, etc.

Não sou jurista e não sei qual a melhor forma de fazer. Se com uma comissão formada por notáveis, e também por alguns políticos, talvez. Dizem os entendidos que uma constituinte exclusiva para esse fim seria inconstitucional. Há controvérsias. Só sei que não dá para só o Congresso elaborar  essa reforma. Pelo menos não esse nosso Congresso que está aí.  Porque dele coisa boa certamente não sairá. Seria como lobos criando o estatuto do galinheiro.

A propósito, posso até ser a favor do parlamentarismo, ou semi-presidencialismo, como alguns luminares têm proposto. Mas hoje, do jeito que estão as coisas, só na Suécia. Se algum dia baixar o espírito público em Brasília e a maioria dos nossos políticos voltar a ser honesta e competente,  podemos até pensar em mudança do sistema de governo. Ah, e tem de ter plebiscito. Senão é golpe.

Enfim, enquanto não houver uma legislação eleitoral melhor do que esta que está em vigor, a cada eleição veremos a nossa representação parlamentar piorar e o País se tornar cada vez mais ingovernável.

Certa vez perguntaram ao saudoso dr. Ulysses: “o que acontece com esta legislatura? Está horrorosa!”. Ao que o velho e sábio cacique, do então MDB, respondeu: “não se preocupe, meu filho; ainda vai piorar muito”. É, senhoras e senhores, entra ano e sai ano e o nosso Parlamento, fora o resto, parece aquele antigo bloco do carnaval da Bahia, o Cada Ano Sai Pior. Simplesmente lamentável. Como tudo mais.

I.C.M.

(Publicado originalmente no LinkedIn)

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