O Brasil arruinado

  • Por:Ibsen Costa Manso
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Tiririca equivocou-se. Pode ficar muito pior do que está.”

O incêndio que destruiu o Museu da Língua Portuguesa acabou por encobrir de fumaça outras tragédias. Só para começar, também no campo cultural, o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, fechou as portas por falta de verbas federais.

Foram, e são tantas, as nossas mazelas cotidianas, que muitos brasileiros gostariam de esquecer este ano de 2015.

A troca de guarda no Ministério da Fazenda ficou em segundo plano no noticiário de hoje. Afinal, está tudo mesmo sob controle. Câmbio, inflação, desemprego, contas públicas, um Pibão de fazer inveja. Só que não!

O plano é dobrar a meta negativa.

O novo ministro interino (todos sabem quem de fato manda na economia), bem que tentou convencer os investidores de que não haverá guinadas bruscas. Mudanças suaves e gradativas, então, quem sabe?

A reação foi imediata. Dólar acima dos R$ 4 e bolsa seguiu ladeira abaixo. As empresas brasileiras estão a preço de banana. O real já perdeu mais de 50% de valor este ano, concorrendo com o peso argentino.

É a velha história… confiança é um sentimento que se leva anos para conquistar; e cinco minutos para perder.

O Planalto não vai recuperá-la com discursos, mas sim com ações de curto, médio e longo prazos.

Fica ainda mais difícil quando, ato contínuo, o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE ― sim, aquele deputado cujo assessor foi flagrado com dinheiro na cueca) declara em rede nacional que o ciclo do ajuste fiscal acabou e que “precisamos de mais Estado e menos mercado” para incentivar os investimentos e a volta do crescimento.

Parece piada, mas é serio. Muito sério.

Quando dirigi a Globonews em São Paulo, pedi uma reportagem mostrando quem, afinal, é esse tal de “mercado”, um ser mitológico, devorador de criancinhas.

A conclusão foi que o mercado somos todos nós, trabalhadores, consumidores, empresas etc., e não apenas grandes investidores e os famigerados bancos e seus instintos predatórios. Ocorre que por aqui reina certa visão vira-lata de que ter sucesso e ganhar dinheiro é pecado mortal.

O mercado são os outros; o Estado sou eu, é meu, ou está a meu serviço. Recentemente, um estudo mostrou que cerca de 80% dos brasileiros dependem de alguma maneira do maná que jorra das tetas da viúva.

Especialistas dizem que o estado brasileiro precisa encolher e calculam que, para voltar a crescer de forma sustentável, o Brasil precisaria ter anualmente algo como 25 % do PIB em investimentos.

O problema é que, nos últimos muitos anos, estacionamos no patamar de 18%, com tendência para baixo. A participação da indústria no PIB voltou aos níveis da década de 50.

O que é importante deixar bem claro é que, desses 18% de investimentos, menos de 2% são provenientes do Estado. O restante vem da iniciativa privada, do mercado, portanto.

Como se pretende convencer empresários, atrair investidores, nacionais e estrangeiros, fazer o brasileiro consumir, se não há confiança nos rumos do País?

Vocês bem sabem, nada é mais medroso do que o capital.

Enquanto isso, União, todos os Estados e municípios se encontram em situação de absoluta penúria. Os gastos só aumentam e a arrecadação cai mês a mês.

Em resumo: desse jeito essa conta não vai fechar nunca.

Não bastassem as agruras na economia (que se recupera em todo o mundo, ao contrário do que andam dizendo por aí, em Brasília), a política vai mal.

Tiririca equivocou-se. Pode ficar muito pior do que está.

O País está dividido, sem lideranças expressivas, em todas as áreas. Há um processo de impeachment da presidente da República em andamento; a base muyaliada ao governo faz as vezes de oposição; oposicionistas se articulam para fazer parte de um eventual novo governo, do bom e velho regime; o judiciário interfere na bagunça instalada. Sem falar no que vem por aí na operação Lava-jato.

E daí todos resolvem sair para curtir o recesso até o carnaval!

É de amargar!

O meu único desejo para 2016 é que não tenhamos saudades deste ano, que ainda não começou e, pelo jeito, insiste em não terminar.

I.C.M.

(Publicado originalmente no LinkedIn)

Postado em: Política, Posts

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