Dilma e Collor: semelhanças e diferenças fundamentais

  • Por:Ibsen Costa Manso
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Dilma X Collor

Muitos ainda não deram conta de algumas semelhanças e, principalmente, diferenças fundamentais entre o impeachment do Collor e o atual processo movido contra a presidente Dilma.

Começo apenas com alguns pontos a serem observados:

  • No impeachment do Collor houve provas concretas contra ele, como, por exemplo, a famosa compra do Fiat Elba, com dinheiro de corrupção no esquema do ex-tesoureiro de sua campanha, Paulo César Farias, assassinado em 1996, num caso rumoroso e até hoje mal explicado. O carro era troco, comparado ao montante que se suspeitava ter sido desviado. Mas a prova do benefício pessoal e o depoimento do motorista Eriberto França, confirmando que pagava as despesas do então presidente com dinheiro de uma conta fantasma de PC, foram fundamentais para o seu impedimento.
  • O que há no processo de impeachment em curso são acusações de pedaladas fiscais e assinatura de decretos de créditos suplementares sem autorização do Congresso. Dilma também responde a ação de cassação do mandato no TSE por suspeita de Caixa 2 em sua campanha com recursos que seriam fruto de propina.
  • Collor foi acusado de desviar US$ 1 bilhão dos cofres públicos. Pouco, se comparado com os valores envolvidos no esquema da Petrobras, só para citar um exemplo. Mas nada disso consta do processo do impeachment de Dilma, que poderá, ou não, ser julgado no Senado, caso autorizado pela Câmara. Os casos de corrupção ainda estão sendo investigados e, até agora, as denúncias dizem respeito à campanha do PT, mas não diretamente à pessoa da presidente.
  • Collor gostava de fazer passeios em motos velozes a carrões esportivos. Dilma andou na garupa de uma moto em Brasília, mas gosta mesmo é de pedalar, de bicicleta, no Alvorada.
  • Collor havia sido eleito com 53% dos votos. Dilma se reelegeu com 51%.

 

No mais, o impeachment de Collor e seus desdobramentos não podem ser comparados à realidade atual.

Collor se elegeu por um partido nanico. Quando foi afastado do cargo, sua popularidade estava baixíssima; os caras-pintadas ocupavam as ruas. Dilma enfrenta manifestações recordes e sofre com índices de impopularidade bem próximos aos de Collor. Talvez venha daí a essa sensação de similaridade entre os dois cenários e a percepção de que seu impeachment é iminente.

Collor deixou da presidência e quase ninguém deu pela sua falta. A inflação era alta, economia não ia lá muito bem, mas começou a melhorar e entrou nos trilhos, principalmente com o Plano Real introduzido pelo presidente Itamar Franco e seu ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso.

Dilma Rousseff é responsável por uma das piores crises econômicas da nossa história, com PIB negativo, inflação alta, desemprego crescente, juros estratosféricos, descontrole das contas públicas, etc.. No entanto, o PT, embora combalido e em minoria, ainda detém expressivo apoio por parte da sociedade, a começar por sindicatos, centrais sindicais, movimentos sociais como o MST e Contag, além de integrantes da intelectualidade e da classe artística. As manifestações em favor do governo não podem ser desprezadas.

Na história recente do País, apesar de inúmeras e gravíssimas crises políticas, não houve conflitos generalizados. O suicídio de Getúlio, a renúncia de Jânio, a deposição de Jango, o golpe militar, a morte trágica de Tancredo, o impeachment de Collor.

Se o Senado vier a julgar Dilma culpada por crime de responsabilidade e, consequentemente, afastá-la da presidência, espero, sinceramente, que o País siga em paz e dentro das regras democráticas. O maior risco hoje, é que, de parte a parte, tem muita gente defendendo o contrário.

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Comentários

4 Respostas para “Dilma e Collor: semelhanças e diferenças fundamentais”

  1. Paulo

    Ibsen , na serie “Colllllor ” este foi o capitulo final , no caso da “Dilma , o poste” ainda teremos fortes emoçoes com outros protagonistas.

    9 de abril de 2016 - 10:07 #
  2. Bebe Leite de Barros

    Muito bem colocado Ibsen. Creio que esta questão de que tudo siga dentro dos parâmetros legais e democráticos é fundamental para o povo brasileiro! O perigo está aí ! Bjo. Bebê

    9 de abril de 2016 - 12:54 #
  3. DALYSIO ANTONIO MORENO

    Claro e objetivo , que tenhamos uma saída pacifica para acrise.

    9 de abril de 2016 - 19:41 #
  4. Ebene

    Se o ódio perder a força já será paz.
    Preocupa-me o que se dará daqui a alguns poucos dias – considero desde já o afastamento da presidentA. Estes 180 dias que se seguirão ao afastamento serão arriscados e “viver será muito perigoso” como diria Guimarães.
    Pois sim, nosso vice não está lá com a bola cheia como gostariam muitos. Precisamos pensar os seus primeiros passos…
    – nomeação de ministros e cargos:
    Se o Meirelles que bem conheço for para a fazenda já será uma força contra a Lava Jato.
    E os demais cargos… Quem irá para a Justiça???

    – primeiros projetos que serão enviados à câmara:
    qualquer besteira neste campo a coisa pode ficar feia. Ninguém aguenta mais nada e a politica de populismo é useiro e vezeiro fazer bobagens, o que pode ser a gota d’água. Talvez estou alarmista, mas ninguém toca muito neste assunto ou comenta este período, dizem apenas generalidades.
    Mas afinal a nossa sina é essa: Por Deus, pela minha mãe, pela cerveja e churrascos de kobebife eu também voto simmmmmmmmmmm.

    19 de abril de 2016 - 18:35 #

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